O que se sabe e o que falta esclarecer sobre a prisão de suspeito de matar fazendeiro no TO
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Vídeo mostra momento em que produtor rural é assassinado em Miranorte
Após um ano e meio de investigações sobre a morte do produtor rural José Geraldo Oliveira Fonseca, de 39 anos, a Polícia Civil divulgou que o crime aconteceu em meio a uma disputa no mercado de produção de abacaxi, em Miranorte, na região central do Tocantins. O mandante seria um fazendeiro rival nos negócios.
O inquérito identificou intermediários, rastreou pagamentos fracionados e descobriu os executores do homicídio. Dois homens foram localizados em Maceió (AL), onde morreram em confronto com policiais durante a operação realizada na terça-feira (10). A ação também cumpriu mandados de prisão no Tocantins e Rio de Janeiro.
A defesa do fazendeiro afirma não ter tido acesso integral aos autos, o que impede uma análise detalhada dos fatos (leia a íntegra abaixo). Os nomes dos demais presos não foram divulgados, por isso, o g1 não localizou as defesas.
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Entenda o que se sabe e o que falta esclarecer sobre a suposta morte encomendada.
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José Geraldo Oliveira Fonseca era produtor de abacaxis
Arquivo pessoal/Família de José Geraldo
Quem é apontado como mandante do crime?
Roberto Coelho de Sousa é um fazendeiro que atua na produção de abacaxi em Miranorte. Ele foi preso nesta terça-feira (10) durante uma operação da Polícia Civil, que também cumpriu mandados em Alagoas e no Rio de Janeiro.
A investigação aponta que Roberto era concorrente direto da vítima, o produtor José Geraldo, e mantinha rivalidade comercial e problemas pessoais com ele, fatores que teriam motivado o crime.
Quem era a vítima?
Conhecido como "Geraldo do Abacaxi", José Geraldo trabalhava há 18 anos no cultivo, compra e venda de abacaxi. Ele mantinha escritório e empregava trabalhadores do setor. A família o descreve como um homem honesto, dedicado ao trabalho e muito envolvido com a comunidade.
O que a investigação revelou sobre a motivação do assassinato?
A Polícia Civil afirma que a morte de Geraldo foi motivada pela combinação de rivalidade comercial no mercado de abacaxi e problemas pessoais entre o mandante e a vítima. Os dois eram inimigos declarados, segundo a investigação. A atuação no mesmo segmento e a disputa direta por espaço na produção e comercialização da fruta ajudaram a agravar o conflito.
Como o crime foi executado?
Geraldo foi assassinado a tiros enquanto jantava com a família em 7 de setembro de 2024, em uma pizzaria no centro de Miranorte. O ataque ocorreu quando dois homens armados invadiram o local e fizeram vários disparos.
A ação foi registrada por câmeras de segurança. Após os tiros, os criminosos ainda roubaram um cordão usado pela vítima. A polícia iniciou buscas no dia do crime, mas os executores fugiram da região.
Quem participou do esquema, segundo a polícia?
A operação identificou três níveis de envolvimento:
Mandante: Roberto Coelho de Sousa, preso em Miranorte.
Intermediários: três homens responsáveis por contratar os pistoleiros; dois foram presos em Miranorte e um no Rio de Janeiro.
Executores: dois pistoleiros localizados em Maceió (AL), que morreram em confronto com a polícia durante tentativa de prisão.
Como a polícia chegou aos suspeitos?
A investigação envolveu monitoramento bancário, análise de imagens e cooperação entre equipes do Tocantins, Alagoas e Rio de Janeiro.
O pagamento pelo crime foi feito de forma fracionada, por meio de depósitos nas contas dos executores. A identificação de um dos atiradores foi possível graças à papiloscopia, que encontrou fragmentos de digitais, além do trabalho dos setores de inteligência de diferentes estados.
O que falta esclarecer no caso?
A Polícia Civil afirma que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes na organização do assassinato. Isso inclui verificar se houve apoio logístico, financeiro ou envolvimento de novos intermediários além dos já presos.
Íntegra da nota de Roberto Colheo de Sousa
A defesa de Roberto Coelho de Sousa, por meio de seus advogados regularmente constituídos, vem a público prestar esclarecimentos acerca da reportagem recentemente divulgada sobre a prisão de seu constituinte.
Inicialmente, cumpre destacar que, até o presente momento, a defesa não teve acesso integral aos autos do procedimento, circunstância que impede a análise detalhada dos fatos e dos elementos que teriam fundamentado a medida de prisão.
Ressalta-se que o acesso aos autos é prerrogativa fundamental da advocacia, sendo indispensável para o pleno exercício do direito de defesa e para a garantia do devido processo legal.
Diante disso, a defesa informa que adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para obter imediato acesso aos autos e, a partir da análise técnica do procedimento.
Por fim, reitera-se que todo investigado ou acusado possui o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, razão pela qual qualquer conclusão antecipada deve ser evitada até que os fatos sejam devidamente esclarecidos no âmbito do processo.
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